Centro Social e Cultural

 

Quando o prior José da Cunha Duarte chegou a São Brás de Alportel, a Vila era pacata e não havia iniciativas significativas no aspeto cultural. O seu dinamismo levou-o a criar mais centros de catequese, de culto dominical e a trabalhar no campo social em colaboração com a Santa Casa da Misericórdia local. A juventude pouco ou nada tinha para ocupar o tempo livre. Deitou as mãos ao trabalho. No campo religioso, com o apoio da Câmara Municipal, arranjou um projecto para as novas capelas construídas na Mesquita e Parises. Arranjou ainda um terreno no Peral e Cabeça do Velho para oportunamente se lá construir uma capela.

No campo musical, com o apoio do Presidente da Câmara Municipal, dr. João da Cruz, fundou a Escola de Música Paroquial. Centenas de crianças e jovens passaram por esta escola e, durante as férias, ocupavam o seu tempo livre a aprender música, a cantar e a aprender órgão, piano e acordeão. Fundou o Grupo Juvenil de Acordeonistas de São Brás de Alportel. Durante doze anos o prior nunca foi a ferias de Verão. Para valorizar os jovens criou o Festival Juvenil de Acordeonistas que é o mais antigo do Algarve. Todos os anos reunia dezenas de crianças e jovens do Algarve numa festa convívio. As escolas de música traziam aqui os seus alunos. Por aqui passaram jovens que hoje são uma referência a nível nacional e internacional. Desde o início da fundação da Escola de Musica Paroquial, o professor Hermenegildo Guerreiro tem sido o professor de acordeão algarvio que mais títulos tem alcançado a nível nacional, com os seus alunos. Enviou alguns alunos para o Conservatório estudar música.

No campo cultural criou o concurso das Tochas floridas, Jogos Florais da Festa da Páscoa, o Festival de Charolas, o Encontro de Poetas Populares, festas dos Santos Populares e de Verão, nos principais sítios do Concelho. Com o dinheiro das festas foram restauradas e ampliadas todas as capelas.

Fundou a Casa da Cultura António Bentes, o Museu do Trajo do Algarve.

Na capela da Mesquita, a Misericórdia abriu um ATL para ir ao encontro das necessidades da população. Hoje funciona aqui uma actividade com crianças do pré-escolar.

Na capela dos Parises nunca se concretizou um apoio social aos idosos porque a população não sentiu grande necessidade e também porque faltou o apoio da Segurança Social. Ainda não se concretizou o sonho de construir um Centro Paroquial polivalente para o serviço da pastoral catequética e cultura. O espaço reservado era o quintal da casa paroquial. Ficava oculto pelo desnível do terreno. Por diversos motivos o projecto depois de realizado e aprovado não se pode concretizar…

(Memórias de São Brás de Alportel, vol. II)